Monday, 22 July 2013
Tuesday, 16 July 2013
Much ado about very little
Quer-me parecer que, a partir do minuto 14.42, está a chave para perceber os próximos dias - e, ainda mais complicado, o de hoje. Para perceber porque é que o PS vai assinar o acordo. Para perceber que o BE e o PCP parecem estar distraídos quando acusam o PS de incoerência e de desbaratar o que conseguiu obter em dois anos. Para perceber que as eleições antecipadas, para o PS, implicariam ter de falhar com a promessa do minuto 14.42. E para perceber que o único governo capaz de manter esta promessa até se imolar totalmente é o actual. Não explica nada mais, mas explica isso, e já explica bastante.
Thursday, 11 July 2013
Ilusão
Nos últimos dias tive a sorte de encontrar dois grandes posts no facebook e de ter acabado de ler um livro de Coetzee, todos sobre a ilusão.
Rui Zink escreveu, no seu mural, sobre Lady Macbeth:
Lady Macbeth ... sabia que o cheiro do sangue era mais difícil de lavar das mãos do que o cheiro a merda. Mesmo que este fosse real e o outro (o cheiro do sangue) fosse imaginário.
Lady Macbeth era sábia: ela sabia, entre outras coisas, que nada é tão real como aquilo que imaginamos.
Perante um sangue imaginário, que só Lady Macbeth cheira, o mundo, insubstancial na sua mudança permanente, acha que ela está louca. O mundo - quem assiste à peça e além - achará, porventura, que incomodar-se com o cheiro a merda degradável seria mais razoável do que incomodar-se com o cheiro da permanência da culpa e da morte.
Hoje Joaquim Cardoso Dias cita Marguerite Duras numa frase a que estarei condenado a regressar, como o casal Macbeth regressará sempre à imagem de uma adaga suspensa sobre eles:
Há ilusões que se parecem com a luz do dia;
quando acabam, tudo com elas desapareceu.
quando acabam, tudo com elas desapareceu.
Ilusões que dão momentaneamente realidade à realidade que perece, todos os dias, como a merda. Ilusões - o amor, a fé, o poema - que não se tornam reais com a realidade, mas que tornam realidade as coisas que achamos, erradamente (diria, ilusoriamente), reais. Toda a beleza se manifesta como luz, e não como objeto iluminado. Quando a ilusão se vai, tudo o que é real desaparece.
Por fim, Coetzee denuncia, no waiting for the barbarians, a história de um império num tempo indefinido que luta contra inimigos imaginários porque dessa luta - da ilusão que vem de uma crença de ameaça permanente - depende a sua própria sobrevivência. O império acaba derrotado pela sua própria lógica, condenando à morte milhares de soldados em buscas inglórias dos bárbaros, que nunca aparecem. Escreve Coetzee:
Empire has created the time of history. Empire has located its
existence not in the smooth recurrent spinning time of the cycle of the
seasons but in the jagged time of rise and fall, of beginning and end,
of catastrophe. Empire dooms itself to live in history and plot against
history
Para o bem e para o mal, a ilusão não é cíclica, tem um começo e tem um fim. Ao contrário de tudo o resto, que ora está sob a luz do dia, ora está à sombra.
Wednesday, 10 July 2013
2º resgate
A única razão que me parece plausível é que o presidente não quer Portas com tanto poder, e também não quer Seguro com maioria absoluta em 2014. Se for assim, este é o segundo resgate do presidente ao PSD.
Wednesday, 3 July 2013
O que vocês queriam sei eu
Estou o mais longe possível de ter simpatia pelo personagem, mas esta gente toda que anda a chamar irresponsável ao Portas não é a mesma que o chamava cobarde há uns tempos e dizia que ele não clarificava se estava dentro ou fora do governo?
Tuesday, 2 July 2013
Da incerteza
O
Einstein dizia que não sabia com que armas seria combatida a 3ª guerra
mundial, mas que tinha a certeza que a 4ª seria com pedras e paus. Com a
política nacional a coisa é inversa: sabemos quem vai ganhar as
eleições legislativas deste ano, não sabemos é quem vai ganhar as do
próximo. E é assustador pensar nisso.
Monday, 17 June 2013
Blur
A natureza tem horror ao vazio. E a velhice - enquanto amadurecimento - ocupa um espaço particularmente degenerado na natureza do homem. Se a vida não tem sentido último, o amadurecimento é a forma aperfeiçoada do vazio. Serve para falar deste vídeo absolutamente maravilhoso onde os Blur, reunidos, cantam de modo aperfeiçoado, perfuntório e sublimado, a essência do fim - que é assim uma essência sem substância.
Tuesday, 11 June 2013
Metamorfoses
Apolo, deus do sol, exímio manejador do arco, vai de fazer pouco do cupido, deus na sombra que atira sem ver. Cupido, vingativo, acerta em Apolo com uma flecha das normais, das que apaixonam (de ponta afiada de ouro); a Dafne, ninfa lindíssima, acerta com uma flecha que escorraça, de ponta de chumbo arredondada. Dafne foge aflita pelo mato (a corrida despe-a, o vento sopra os cabelos para trás), e Apolo persegue-a sem resistir: o amor é a razão de te perseguir! Mas, vendo-a correr como se não houvesse amanhã, pelo mato, preocupa-se (Ai de mim! Temo que caias de cara ao chão, que as sebes arranhem as inocentes pernas, te magoes por minha culpa!) e propõe-lhe o seguinte: Corre mais devagar, abranda a tua corrida. Eu seguir-te-ei mais devagar.
É verdade que Apolo alcança Dafne e ela, porque pode, transforma-se em árvore. Mas o ponto fundamental é este: Apolo não consegue evitar perseguir Dafne, mas consegue propor-lhe persegui-la mais devagar. O bem e o amor não são nada a mesma coisa - nem sequer estão no mesmo nível. Mas o amor faz-nos querer fazer pequeno o mal que o amor faz. Persigo-te, e vou-te apanhar porque sou mais rápido que tu, não há nada a fazer quanto a isto!, mas proponho fazê-lo mais devagar para que não te magoes. A bondade, se quisermos, é o que falta ao amor para ser amor e não ser maldade.
John William Waterhouse, 1908
Estou a adorar ler as metamorfoses.
Friday, 7 June 2013
Chuva branca
Se tradicionalmente os modelos econométricos (aquela coisa do excel mas com nome de boneco sexual para nerds kinkies) se socorriam do ruído branco, agora chegou a vez da chuvinha.
Para quem lê este blog e tem saúde mental, o bottom line do que quero dizer é: esgotaram-se as desculpas e o desconhecido tornou-se tão desconhecido para os curandeiros modernos para era para os antigos, aqueles que faziam danças da chuva.
PS: He who makes a beast of himself gets rid of the pain of being a man.
PS: He who makes a beast of himself gets rid of the pain of being a man.
Wednesday, 22 May 2013
Monday, 13 May 2013
Tuesday, 23 April 2013
Sobre as recentes nomeações para o governo...
...tenho uma questão e uma citação:
Para a semana tenho de ir a Bruxelas, e gostaria de poder orientar a minha vida. Se continuar a apoucar o governo de forma particularmente rude, poderei vir a ser convidado a integrá-lo?
E a citação é do Garrett: "Foge, cão, que te fazem barão. Para onde? Se me fazem visconde…."
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