Nós somos todos merda. A ética é evitar sujar os outros.
Saturday, 26 November 2011
Wednesday, 2 November 2011
Got a devil' s haircut in my mind
A ler: este post do Nuno Teles sobre um corte de cabelo que afinal é só gel.
Sunday, 30 October 2011
Com atraso
And every time he kisses you it leaves behind the bitter taste of saccharine. Uma das acusações mais geniais da pop platónica.
Saturday, 29 October 2011
Thursday, 27 October 2011
Gaiety
All perform their tragic play,
There struts Hamlet, there is Lear,
That's Ophelia, that Cordelia;
Yet they, should the last scene be there,
The great stage curtain about to drop,
If worthy their prominent part in the play,
Do not break up their lines to weep.
They know that Hamlet and Lear are gay;
Gaiety transfiguring all that dread.
All men have aimed at, found and lost;
Black out; Heaven blazing into the head:
Tragedy wrought to its uttermost.
Though Hamlet rambles and Lear rages,
And all the drop-scenes drop at once
Upon a hundred thousand stages,
It cannot grow by an inch or an ounce.
Do Lapis Lazuli
There struts Hamlet, there is Lear,
That's Ophelia, that Cordelia;
Yet they, should the last scene be there,
The great stage curtain about to drop,
If worthy their prominent part in the play,
Do not break up their lines to weep.
They know that Hamlet and Lear are gay;
Gaiety transfiguring all that dread.
All men have aimed at, found and lost;
Black out; Heaven blazing into the head:
Tragedy wrought to its uttermost.
Though Hamlet rambles and Lear rages,
And all the drop-scenes drop at once
Upon a hundred thousand stages,
It cannot grow by an inch or an ounce.
Do Lapis Lazuli
ps este poema do yeats, onde em guerra cada homem e cada mulher acompanha heroicamente à sua própria tragédia, lembra e rejeita a ideia de que o mundo é um palco, de shakespeare; numa cidade bombardeada - numa cidade sem livre arbítrio - o mundo não é um palco, o palco é o mundo. e os personagens, com mais livre arbítrio do que os agentes, estão cheios de gaiety. e a gaiety é de uma beleza extraordinária.
Sunday, 23 October 2011
A verdade será o teu dote

Ford M. Brown, Cordelia's portion, coisa pré-rafaelita
O amor é coisa de velhos. Quero dizer que o amor impossível é coisa de velhos.
Monday, 26 September 2011
A falácia do conservadorismo

O Miguel Sousa Tavares está, na SIC, a defender as touradas, digo, está a atirar-se àqueles que são contra as touradas - gente que diz ser, basicamente, ignorante. Como primeiro argumento, esgrime Miguel que os pintores espanhóis sempre pintaram touradas, e que os anti-touradas deviam questionar-se porquê. Não sei o que responderia Picasso, talvez o Woody Allen saiba, ou aquela senhora que fala com os se foram. A seguir remata com a velha questão pragmática de justificar, não os meios pelos fins, mas os fins pelos começos: como as touradas são a única motivação para criar touros, se terminam as primeiras, acabam-se os últimos. O mesmo, diz ele, aconteceria com a proibição da caça. Esta falácia, de justificar o fim pelo começo, é também a que está nas cabeças que dizem que tornar despedimentos mais baratos e fáceis é política que levará a melhor e mais emprego.
Ou que a razão pela qual eu não deveria mudar de canal, e deixar de ouvir MST, é porque, ao fazê-lo, estou a contribuir para o tirarem do ar, e se o tiram do ar eu terei menos motivos para mudar de canal. Que era o que queria fazer para começar.
Saturday, 24 September 2011
O que hoje penso de Woody Allen
A pergunta se um novo filme de Woody Allen é bom ou mau é um erro. Woody Allen, onde, na condição de alguém que ultrapassou os 30 anos, me alinho, não é o homem mais denso que anda para aí, mas é o mais compacto - quer dizer, imagine-se um ideia leve e pouco densa que é imperceptível quando liberta numa sala de boas dimensões, mas que se mantém intacta quando as dimensões da sala se tornam mais e mais reduzidas. A pouco e pouco vamos tendo menos acessório para reparar, e a ideia torna-se mais óbvia. O Woody Allen de hoje é a sala mais pequena onde ele próprio já guardou a sua ideia, e não tenho dúvidas que nos continuará no futuro a brindar com exercícios de contorcionismo mais extremos, cinicamente expondo que a sua ideia é tão pequena que vai caber numa sala do tamanho de um átomo, sem que sofra qualquer mutação - vai tornar-se pura, sem ar que nela se deposite, sem precisar de actores ou actrizes e muito menos de uma Nova Iorque do tamanho de uma Europa. Perguntar se um filme do Woody Allen é profundo ou não é como perguntar aos miúdos se um copo de 20 cl. alto consegue conter mais ou menos água do que um copo de 20 cl. muito baixo. Todos os filmes têm a mesma capacidade, só que se estão a tornar cada vez mais fininhos, cada vez mais translúcidos, onde cada vez mais só cabem as sombras dos actores, uma coisa que lhes tira a face, as expressões, onde a excentricidade sexual da Scarlett pode ser trocada por um tipo que fez um filme chamado wedding crashers, onde Roma pode trocar Paris e pode trocar Nova Iorque, e nada disso realmente interessa porque o verdadeiro actor, e local, é imutável e é Woody Allen. A ideia, essa, parece-me, e é ridículo expô-la, porque sinto que só vou saber exactamente qual é no seu último filme, é esta: o amor acontece por acaso, quando já não há mais nada que possa acontecer. É uma ideia paradoxal, e espero percebê-la melhor nos próximos filmes.
Sunday, 18 September 2011
Economia necessariamente política
Quando os bancos dão o nome às salas de aulas de algumas faculdades de economia em Portugal - se tivermos em conta que já davam o que era ensinado, assumir a paternidade era algo que se impunha -, vale a pena ver este vídeo. A economia é política, e o resto é para os engenheiros e agiotas.
(visto hoje no eixo do mal)
Saturday, 27 August 2011
Friday, 26 August 2011
Têm a certeza que não querem mais dinheiro?
Desde pelo menos a primeira guerra mundial, onde os proletários dos vários países tomaram armas para se combaterem entre si e não as classes com que se confrontavam no processo produtivo, que a esquerda enfrenta e procura explicar o porquê de nem sempre aqueles por quem se diz bater estarem do seu lado.
Parece-me, no entanto, uma deliciosa novidade esta de os ricos dos outros países ultrapassarem a retórica neoliberal portuguesa pela esquerda, e forçarem, a muito contragosto, o nosso governo a aceitar discutir a imposição de um imposto à riqueza. É preciso lembrar que esta coligação ganhou as eleições sob um entendimento muito particular de que, se aos empresários fosse entregue mais dinheiro, estes iriam poder gerar mais emprego e fazer a economia crescer. Este entendimento é aquele que está na base da proposta de descida significativa na TSU, mas também na redistribuição agressiva de rendimento dos mais pobres para os mais ricos que este governo tem levado a cabo desde que tomou posse - mesmo que, ressalva seja feita, esta última não tenha sido acompanhada por um discurso que explicite a crença de que dar dinheiro aos mais ricos é bom para a economia, ficando assim a ideia de que talvez até já se aceite tratar-se apenas de uma preferência ideológica. Ora agora são os próprios ricos a dizer que a solução para a crise não passa por terem mais, mas sim menos dinheiro. É delicioso, a sério. Imagino muito economista académico com dificuldades em desenhar os exames para a época especial de Setembro, mas a parte mais deliciosa é mesmo a de imaginar os assessores do Álvaro à nora.
Claro que se pode alegar que o governo estava a pensar nos empresários das PMEs, e não nos accionistas das grandes empresas - talvez os primeiros não sejam sequer ricos, e não venham sequer a pagar o possível imposto. Mas então seria de esperar que se tivesse falado em excluir as grandes empresas do jacktop da redução na TSU, coisa que nunca ouvi.
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