Tuesday, 7 June 2011

Islândia

A aventura da Islândia é para mim o evento mais excitante de um país no século XXI - muito mais do que as poeirentas revoluções no norte de África e incomparavelmente mais do que a captura e morte de bin Laden. Faz-me lembrar a épica revolta dos velhos banqueiros ingleses empregados pelo Crimson Permanent Assurance, que dominam os banqueiros americanos para os quais trabalham, os mandam borda fora do 20º andar como os piratas faziam nas pranchas dos barcos, içam a âncora e zarpam em direcção ao novo mundo.


Monday, 6 June 2011

An intervention from Greece, part I

Pedi ao George Papafragkou que fizesse uma análise crítica sobre a situação que se vive actualmente na Grécia. O George é meu amigo, e está a tirar um Doutoramento em Filosofia na Universidade de Atenas. A situação na Grécia desenha paralelos com a realidade portuguesa que importa conhecer e assumir.

Having been invited to comment on the crisis in Greece I must admit that I am troubled of where to begin from. Perhaps I should start in the middle; how things are now over here. It has been now almost one and a half year since the debt crisis begun and over a year since Greece had to apply for the combined financial aid of the IMF, the ECB and the Eurozone countries.

The first pact signed in May 2010 was called a Memorandum (of Cooperation) and its details were not widely available, not even to the Socialist members of Parliament who voted for it, together with the extreme-right populist LAOS party. But as the EU-IMF loan comes in quarterly installments a combined committee of the three has to approve of the policy measures taken in order for the actual loan installment to be given.

The measures reek of neoliberalism: Increase in VAT and taxes for employees but tax cuts for big business, cuts of 15% in the salaries of the state sector employees and cuts in their pensions, deregulation of the labour market so that people can be fired with less compensation and can work for more hours with much more flexible schedule. More than 100.000 seasonal workers in the public sector did not have their contracts renewed, over a thousand schools were merged with others in rural Greece so that money could be saved, the same will happen for hospitals and universities –which actually have no funds to employ new staff to substitute those going in pension. The interesting thing with deregulation is that it is actually regulation in favour of the capital. I know that I am sounding like an old-fashioned marxist but the deregulation proposed actually imposes through legal measures lower pay for young employees (25% lower), the nullification of contracts between unions and employers and the implementation of “solitary contracts” for each firm and employee, the opening of numerus clausus markets such as the taxi and lorry drivers and pharmacists which will enable big firms to operate instead of the individual entrepreneurs, the loss of university autonomy and be subjection to changes by a committee of “the wise” which will be presided by an IMF counselor.

These measures have not proved adequate, as it was feared when they were first proposed: The growth rate plummeted which led to an increase in the dept ratio to GDP and now Greece is in the midst of recession, 2.35% drop in the GDP in 2009 to be followed by an additional 4.35% in 2010 the year where the IMF/EU-imposed austerity programme begun. At the same time the debt as percentage of the GDP is predicted according to the IMF to rise to 145.2% in 2011 and to 148.8% in 2012 , but according to the European Commission the prediction is for 157.7% and 166.1% respectively. This, combined by the actual loss in government revenue due to the recession and the fall in demand and despite the tax measures continues to give rise to market speculations that Greece will default on its debt, despite the harsh policies followed. Actually the CDS ratings have risen even further making Greece unable of even fathoming a return to the credit markets and undermining the rationale behind the acceptance by the Socialists of the EU-IMF measures, which were supposed to help Greece out of a debt default situation.

Temos quadratura do círculo


Pacheco Pereira nas palavras de James Joyce

Sunday, 5 June 2011

A notar

Com todos os defeitos que tem, José Sócrates foi o único homem que deu uma maioria absoluta à esquerda. Será útil lembrar isso na próxima campanha para as eleições internas no PS.


Parabéns ao PSD.

Os dias das eleições

Votei na escola n.º 2 dos Olivais, a escola onde completei o ensino secundário. Uma escola que teve obras significativas nos últimos anos, e que agora tem excelentes condições, incomparáveis com as que tive quando lá estudei. É bom, não é?


Na quarta-feira estacionei o meu carro no largo do carmo, numa rua de estacionamento devidamente demarcado e provido de parquímetros - os quais não tenho de pagar visto que sou residente. Como ando pouco de carro deixo-o ficar estacionado no mesmo sítio durante dias seguidos e, geralmente, salvo uma ou outra borracha do pára-briras que algum bêbedo leva emprestada, não tenho motivos para me preocupar com a segurança do carro. Só que na sexta-feira havia comício do PSD. E quando chego ao largo do carmo vejo uma mesa bem animada com betos à paisana, fardados com t-shirt laranja e óculos ray-ban, bebericando mines justamente no local onde, pensava eu, estaria o meu carro. Perguntei ao polícia, que mostrou-se surpreendido e disse que não sabia de nada. Só lá estava para garantir a ordem. Lá acabei por saber que tinham rebocado o meu carro para outro largo, ainda dentro da zona onde tenho direito a estacionamento - foram cuidadosos e pouparam-me a uma multa. O PSD precisava do espaço para fazer o comício final de campanha e os restaurantes exigiam um espaço para as esplanadas. O PSD resolve a coisa oferecendo o que não é deles: a rua onde estava estacionado o meu carro. É curioso como um partido que, depois de uma evolução falhada, faz agora questão de mostrar que ocupa bem o seu espaço no 25 de Abril - pena é que, para ocupar este espaço, tenha de mandar fora tudo tudo o que lá estava antes. Incluindo o meu carro. Que eu saiba, isto nem sequer é legal. É mau, não é?

Friday, 3 June 2011

Duas previsões para o próximo governo

Vai durar menos de dois anos. Não irá sobreviver à re-negociação e aos termos dessa re-negociação, nem à evidência de que o cumprimento do acordo da troika até esse momento serviu apenas para reduzir salários da função pública, mudar a lei laboral e privatizar algumas empresas.

O líder da oposição, durante todo esse período, será José Sócrates. Que será o grande vencedor da eleição de Domingo, perdendo-a.

PS - Nem uma nem a outra me deixam contente.

Thursday, 2 June 2011

No Conselho de Ministros, no Parlamento e na Quadratura do Círculo

Na segunda-feira Passos Coelho terá três grandes adversários: Paulo Portas, José Sócrates e Pacheco Pereira.

Wednesday, 1 June 2011

Política

O debate político tem-se reduzido a um discurso técnico. Estes são competentes? São bons a fazer o que nós achamos que eles devem fazer? Esta é uma vitória clara do PSD - a redução da política através de uma política de redução, e passe o trocadilho fácil, que todos nós temos um Paulo Portas a assomar garganta acima, é isto que penso: para eles, o problema é simples. Devemos dinheiro porque gastámos mais do que ganhámos, e agora - até é só aritmética -, é fácil, é preciso gastar menos e produzir mais. Tudo é neutro, tudo é vazio, tudo são contas de subtrair. Há países muito bons onde já nem há discussão política, mas técnica (de qualidade desmensuradamente superior à do nosso país), e onde o estado gasta pouco dinheiro - e até se cumprem programas de instituições internacionais, uma do outro lado da rua do FMI. É na África Subsariana.

Argumento da diligência

Nogueira Leite vem agora dizer o óbvio. Mais do que questionar a honestidade intelectual de economistas que se esqueceram de dizer o óbvio nos últimos meses, acusando quem o fazia de ser radical e não ter em conta os graves prejuízos que o inevitável iria trazer ao país, (o que ajudou entretanto a produzir um estranho documento com duas versões e que prevê um conjunto de medidas com forte impacte social), é importante virar o argumento da diligência. O argumento da diligência, aventado por vários insuspeitos social democratas, incluindo Pacheco Pereira e Passos Coelho, é o de que o PSD, por ser ideologicamente mais próximo do documento da troika, é o partido mais preparado para implementar o programa. "Se" houver renegociação, e se esta implicar, por exemplo, a saída do euro e a rasura do programa da troika, e se o argumento da diligência for correcto, então o PSD deixará de ser o partido melhor para o governo nessas circunstâncias.

Monday, 30 May 2011

Ideologia

É particularmente educativa a forma como o economist hoje aborda as recentes convulsões sociais em Espanha - e a ausência destas em Itália. Quando a noção de sociedade ou de um grupo desaparece, diluída na mera soma dos indivíduos que fazem parte destes, surge uma divertida dificuldade em explicar de modo convincente qualquer revolta social. Não havendo tal coisa como sociedade, ou classes, e havendo apenas indivíduos com interesses particulares, é certo que a única razão que resta para a revolta dos jovens em Espanha é estarem contra o egoísmo dos indivíduos empregados - esse grupo que, em interesse próprio, quer garantir direitos que só desincentivam que os empregadores vão contratar novos trabalhadores. E tudo para nem sequer considerar a hipótese de que todos - empregados e desempregados - querem emprego e direitos, contra quem os quer privar de um, de outro, ou de ambos.

Thursday, 26 May 2011