1 - Islandeses rejeitam pagar dívida ao Reino Unido e Holanda
2 - Reino Unido e Holanda vão levar Islândia a tribunal por causa da dívida
3 - Artistas que provocaram poder russo com pénis de 65 metros vencem prémio de inovação
Monday, 11 April 2011
Saturday, 9 April 2011
Da euforia do liberalismo

É quase Maio, e florescem flores de euforia com a entrada do FMI por parte de uma certa direita. É quase Maio, mas ainda é Abril.
O principal argumento subjacente a esta euforia é que eles - o FMI - vêm pôr a economia e a política na ordem. Vâo cortar despesas, vão reduzir o tamanho do estado e, por consequência, da corrupção e do favorecimento de uma classe associada ao movimento partidário, que é viciada e pouco produtiva, em detrimento de premiar o mérito e o empreendedorismo. Esta é uma crença que se baseia na ingenuidade do liberalismo.
O liberalismo, como ideologia nascida e tornada possível com o iluminismo, funda-se na crença que todas as coisas boas vêm em conjunto. Os mercados livres premeiam o mérito, desincentivam os vícios e favorecem o desenvolvimento, a paz e a democracia. Esta crença não tem fundamento empírico nem respeita noções básicas de economia ou história. O desenvolvimento económico dos países, quer no século XIX quer no século XXI, foi feito com base na manipulação de mercados, incluindo uma forte intervenção estatal. Raramente se traduziram em processos pacíficos, que favorecessem o mérito e desincentivassem a corrupção e o vício. Quando permitiram a democracia, esta surgiu e tornou-se possível com base em esquemas de favorecimento de interesses da sociedade em detrimento de outros.
O principal argumento subjacente a esta euforia é que eles - o FMI - vêm pôr a economia e a política na ordem. Vâo cortar despesas, vão reduzir o tamanho do estado e, por consequência, da corrupção e do favorecimento de uma classe associada ao movimento partidário, que é viciada e pouco produtiva, em detrimento de premiar o mérito e o empreendedorismo. Esta é uma crença que se baseia na ingenuidade do liberalismo.
O liberalismo, como ideologia nascida e tornada possível com o iluminismo, funda-se na crença que todas as coisas boas vêm em conjunto. Os mercados livres premeiam o mérito, desincentivam os vícios e favorecem o desenvolvimento, a paz e a democracia. Esta crença não tem fundamento empírico nem respeita noções básicas de economia ou história. O desenvolvimento económico dos países, quer no século XIX quer no século XXI, foi feito com base na manipulação de mercados, incluindo uma forte intervenção estatal. Raramente se traduziram em processos pacíficos, que favorecessem o mérito e desincentivassem a corrupção e o vício. Quando permitiram a democracia, esta surgiu e tornou-se possível com base em esquemas de favorecimento de interesses da sociedade em detrimento de outros.
A narrativa do deslumbramento com a entrada do FMI, que é a mesma onde se baseiam as saudações às entradas do Banco Mundial nos países mais pobres, resulta deste vício intelectual do liberalismo: cortando despesas, limitando e moralizando o estado, vamos criar condições para uma economia mais forte, mais sólida, e isto é inquestionável. As entradas do FMI nos vários países sempre resultaram no inverso, e a explicação, como digo alguns posts abaixo, resulta de que gerir uma economia não é o mesmo que gerir uma casa de boas famílias, disciplinada e moralmente sã. Cortar despesas num período de recessão é uma receita pouco racional, fundada num preconceito ideológico, e que nos custará a recessão de uma geração.
Friday, 8 April 2011
Thursday, 7 April 2011
Nota
Uma das verdades económicas mais caras e menos compreendidas por muitos economistas é que gerir a economia de um país não é o mesmo que gerir a economia de uma casa. A principal razão económica - há várias de outra natureza - é que a fonte de rendimento de um agregado familiar não se reduz quando se decide reduzir a despesa: se não comprar o led ou se decidir passar a comer menos, isso não me irá fazer reduzir o ordenado, ou o rendimento dos investimentos financeiros que eu tenha. Mas num estado isso não acontece: quando se decide reduzir a despesa, por exemplo pagando menos aos funcionários públicos, ou investindo menos, isso implica no imediato uma redução no rendimento gerado no país. Por sua vez, isto gera uma redução na receita que se obtém por via dos impostos - provavelmente, menor do que o ganho na poupança, o que gera um ganho líquido para o estado, mas uma redução da riqueza gerada no país. Quando se diz nos autocarros ou na sede do PSD que as medidas de austeridade do FMI vão relançar a economia ignora-se esta verdade económica.
Wednesday, 6 April 2011
História
Uma das frases mais repetidas nos últimos dias é a de que o FMI não é um papão. Ora, o FMI é um papão. E dizer o contrário esconde uma agenda ideológica pouco honesta ou, pior ainda, revela ignorância. O FMI foi construído com a única missão de ser papão. Nasce da ideia de que a forma mais eficiente de impedir uma política económica descontrolada é criar exemplos de sofrimento que inibam comportamentos perigosos. É aí que o FMI entra. Como emprestador de último recurso, os seus economistas são treinados para garantir que os países que a ele recorrem sofrem o suficiente para não cairem na tentação de repetir o erro, e para que os outros países também não o façam. Se o FMI não for papão, não está a ser FMI.
Do tratado de Versalhes
Um dia, dentro de vinte, trinta anos, o pacote de ajuda que entrará na próxima segunda-feira em Portugal conhecerá a mesma má fama do Tratado de Versalhes. A austeridade imposta com o objectivo único de criar sofrimento colectivo que sirva de exemplo para que mais nenhum outro país ponha em causa a paz europeia, e a recessão económica que gerará na Península Ibérica, na Irlanda e na Grécia, é, pior que sádica, contra-producente.
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